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Deolinda Rodrigues

Deolinda Rodrigues Deolinda Rodrigues Francisco de Almeida, conhecida pelo nome de guerra “Langidila” e eternizada como “Mãe da Revolução”, foi uma das figuras femininas mais importantes da luta de libertação de Angola. Militante do MPLA, escritora, poetisa, tradutora, radialista e defensora dos direitos humanos, tornou-se símbolo da coragem, do patriotismo e do papel da mulher angolana na luta anticolonial.Nasceu a 10 de fevereiro de 1939, em Catete, atual província do Ícolo e Bengo. Filha de professores primários ligados à Igreja Metodista, cresceu num ambiente marcado pela educação, pela disciplina e pelo espírito religioso. O pai, além de professor, era pastor evangélico, o que fez com que a família vivesse em várias localidades do país, como Ndalatando, Caxicane e Catete. Desde cedo, Deolinda demonstrou grande inteligência, sensibilidade social e paixão pela escrita.Ainda jovem mudou-se para Luanda, onde prosseguiu os estudos. Viveu durante algum tempo sob os cuidados da tia Maria da Silva, mãe de António Agostinho Neto, fortalecendo laços familiares e políticos que mais tarde influenciariam a sua militância. Durante a juventude começou a escrever poemas, textos e reflexões sobre a realidade colonial angolana, denunciando injustiças sociais e defendendo a dignidade do povo angolano.A sua consciência política desenvolveu-se rapidamente. Inicialmente integrou o Partido da Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUAA), organização nacionalista que posteriormente ajudaria a formar o MPLA. Com a criação oficial do movimento, em 1956, Deolinda passou a desempenhar tarefas importantes, como tradução de documentos, organização de reuniões clandestinas e contactos internacionais em defesa da independência de Angola.Em 1959 recebeu uma bolsa de estudos para estudar Sociologia no Brasil, no Instituto Metodista de Ensino Superior, em São Bernardo do Campo. Durante este período manteve correspondência com Martin Luther King Jr., que a incentivou a persistir na luta pela liberdade e justiça social. Posteriormente seguiu para os Estados Unidos, onde continuou os estudos na Universidade Drew, ampliando os seus contactos com diplomatas africanos, intelectuais e ativistas internacionais.Apesar das oportunidades académicas, decidiu abandonar os estudos para dedicar-se integralmente à luta pela independência de Angola. Em 1962 estabeleceu-se em Quinxassa, no então Congo-Leopoldville, onde funcionava a direção do MPLA. Ali destacou-se no apoio aos refugiados angolanos, na alfabetização e na assistência social aos combatentes e suas famílias.Nesse mesmo período tornou-se uma das fundadoras da Organização da Mulher Angolana, braço feminino do MPLA, ao lado de figuras como Irene Cohen, Maria Mambo Café, Engrácia dos Santos, Teresa Afonso e Lucrécia Paim. A OMA desempenhou papel fundamental na mobilização política das mulheres, na formação de quadros e no apoio à luta armada.Além da atividade política, Deolinda também trabalhou como locutora da “Rádio Angola Combatente”, emissora do MPLA que transmitia mensagens revolucionárias e mobilizava os angolanos para a luta anticolonial. A sua voz tornou-se símbolo de esperança para muitos combatentes e refugiados.Em 1966 foi integrada no Esquadrão Kamy, unidade especial ligada ao Exército Popular de Libertação de Angola, recebendo formação militar com instrutores cubanos. Demonstrava assim que a participação feminina na luta não se limitava apenas ao apoio político ou social, mas também à ação revolucionária direta.A 2 de março de 1967, durante uma missão no Congo-Quinxassa, Deolinda Rodrigues e outras dirigentes da OMA — Engrácia dos Santos, Irene Cohen, Lucrécia Paim e Teresa Afonso — foram capturadas por elementos da FNLA. Levadas para a base de Quincuzo, sofreram torturas e acabaram assassinadas em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas. A sua morte transformou-a num dos maiores símbolos do sacrifício e da resistência feminina angolana.Mesmo após a morte, o legado de Deolinda Rodrigues continuou vivo. Os seus diários, cartas e poemas revelaram uma mulher profundamente humana, patriota, intelectual e comprometida com a liberdade do seu povo. Obras como Diário de um Exílio sem Regresso e Cartas de Langidila tornaram-se referências fundamentais para compreender a luta de libertação angolana e o papel das mulheres nesse processo histórico.Em sua homenagem, o dia 2 de março foi consagrado como o Dia da Mulher Angolana. O seu nome foi atribuído a avenidas, escolas, instituições de ensino e ao aeroporto de Saurimo, perpetuando a memória de uma mulher que entregou a vida pela independência, dignidade e emancipação do povo angolano.

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